Guarda compartilhada não cancela pensão
Entenda por que dividir decisões não significa dividir despesas pela metade
Muitas pessoas acreditam que, quando a guarda é compartilhada, a pensão alimentícia deixa de existir.
Mas isso não é verdade.
Guarda compartilhada significa que pai e mãe participam juntos das decisões importantes da vida do filho: escola, saúde, rotina, criação.
Já a pensão alimentícia tem outro objetivo: garantir sustento, estabilidade e qualidade de vida.
São coisas diferentes. E entender essa diferença evita conflitos desnecessários.
Dividir decisões não é o mesmo que dividir despesas em partes iguais
Mesmo quando pai e mãe participam igualmente da vida do filho, a responsabilidade financeira continua existindo.
Porque as despesas não desaparecem.
Alimentação, moradia, escola, saúde, transporte, lazer, tudo isso continua acontecendo todos os dias. E, na prática, geralmente existe um lar principal, onde a criança passa a maior parte do tempo.
Quem assume as despesas fixas da casa (luz, água, mercado, condomínio) já está contribuindo de forma direta.
Por isso, o outro genitor pode, e muitas vezes deve, contribuir financeiramente em dinheiro.
Não é sobre igualdade matemática. É sobre justiça proporcional.
Cada família tem uma realidade diferente
A pensão não é calculada olhando apenas para o tempo que o filho passa com cada um.
Ela leva em consideração:
- As necessidades da criança
- A capacidade financeira de cada genitor
- O padrão de vida que vinha sendo mantido
Se um dos pais tem renda maior, é natural que contribua mais.
Se há diferença significativa de ganhos, a divisão precisa refletir isso.
Compartilhar a guarda não significa que ambos tenham as mesmas condições financeiras.
E a criança não pode pagar o preço dessa diferença.
“Mas eu já pago roupas, passeios e viagens”
Outro erro comum é achar que despesas extras podem substituir a pensão.
Presentes, viagens, lazer e compras não substituem o valor fixado como pensão.
Se existe uma decisão judicial ou um acordo estabelecendo um valor mensal, ele deve ser cumprido como combinado.
Trocar unilateralmente o pagamento por outras despesas gera conflito, insegurança e, muitas vezes, processos judiciais.
Pensão não é favor.
É organização.
Guarda compartilhada não é guarda alternada
Também é importante esclarecer: guarda compartilhada não significa que o filho mora metade do tempo em cada casa, com mudança constante de residência.
O modelo mais comum é ter um lar de referência, garantindo estabilidade.
A criança precisa de rotina, previsibilidade e segurança emocional.
Não de uma agenda dividida em partes matemáticas.
Quando há uma casa principal, é natural que aquele responsável tenha mais despesas fixas.
E é por isso que a pensão pode continuar existindo.
O que realmente está em jogo
Quando o assunto é guarda e pensão, o foco não deve ser a disputa entre adultos.
O foco é a criança. A pergunta central não é “quem paga mais”.
É “como garantimos estabilidade, dignidade e segurança para esse filho”.
Guarda fortalece vínculos.
Pensão garante sustento.
Uma não substitui a outra.
Decidir com clareza evita conflitos futuros
Grande parte dos conflitos familiares nasce da falta de informação.
Quando pai e mãe compreendem que responsabilidade não é punição, as decisões ficam mais maduras.
Pensão não é castigo.
É responsabilidade proporcional.
E quando as decisões são bem estruturadas desde o início, o desgaste diminui — para todos.
Nota ao leitor
Este conteúdo possui caráter informativo e reflexivo.
Decisões familiares exigem análise jurídica individualizada, compatível com a realidade patrimonial, afetiva e existencial de cada família.
Para mais conteúdos sobre planejamento familiar, contratos afetivos e decisões conscientes no Direito das Famílias, acesse:
👉 www.tatifortes.adv.br
Sobre a autora
Tatiana Fortes é advogada de famílias, mentora jurídica e estrategista de decisões familiares.
Atua com planejamento matrimonial, organização patrimonial e reorganizações familiares, orientando escolhas conscientes do início do vínculo às decisões mais delicadas da vida familiar.
Autora do livro O Afeto Não Se Rompe e do ebook Pensão Alimentícia na Prática.
Saiba mais em:
👉 www.tatifortes.adv.br






