Quando a vivência também é faculdade: minha crônica no IBDFAM e o sentido de advogar em famílias
O ano de 2025 marcou um capítulo muito especial da minha trajetória profissional e pessoal. Tive a honra de ser selecionada para integrar uma obra coletiva do IBDFAM, lançada durante o Congresso Nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família, realizado em Belo Horizonte, de 29 a 31 de outubro. Ali, entre tantos nomes que admiro e acompanho há anos, vi um texto meu ganhar espaço, voz e forma.
Foi a primeira vez que submeti uma escrita autoral à avaliação institucional, não como peça jurídica, artigo técnico ou parecer, mas como crônica. Um texto que nasce da vivência, da travessia e daquilo que nenhum manual ensina, apenas a vida.
Por que escrever sobre mim, quando sempre escrevi sobre os outros?
A crônica intitulada “A Ata do Recomeço” não foi escrita para falar de vitórias processuais ou teses jurídicas. Ela foi escrita para contar o que acontece quando a advogada deixa de ser técnica e se torna parte. Quando a profissional atravessa o fórum não para representar alguém, mas para defender a própria história, a própria dignidade e o próprio nome.
Ali, naquela sexta-feira narrada no texto, não havia salto alto, não havia batom vermelho, não havia plateia. Havia silêncio, vulnerabilidade e uma mulher advogando em causa própria, vivendo na pele aquilo que tantas vezes já havia orientado a outros .
Foi nesse dia que compreendi, de forma irreversível, que conhecer a lei não basta. O Direito das Famílias exige algo que nenhum código entrega: escuta, presença, leitura de contexto e humanidade.
A vivência como faculdade que não pode ser ignorada
Sempre acreditei, e hoje afirmo com ainda mais convicção, que a vivência é uma faculdade. Uma faculdade sem diploma, sem cerimônia de formatura, mas com provas duríssimas e aprendizados definitivos. E não podemos permitir que esses ensinamentos passem batidos.
Na crônica, relato o que significa sentar-se diante de um juiz não como representante, mas como parte. O que significa ouvir o próprio nome ecoar em uma audiência. O que significa negociar bens, responsabilidades e o futuro de uma criança enquanto o coração tenta se manter inteiro .
Essa experiência me ensinou mais sobre divórcios, acordos, silêncio e tempo do que muitos anos de estudo formal. Ela me ensinou, sobretudo, a não apressar ninguém. A respeitar o tempo interno de quem ainda não consegue ir, de quem ainda precisa se ouvir.
Por que escolhi advogar em famílias, divórcios e casamentos
Na crônica, conto que foi justamente advogando em causa própria que encontrei meu propósito: advogar com alma. Entendi que muitas pessoas não procuram um divórcio; procuram a si mesmas. Procuram respirar novamente, reorganizar a vida, juntar os ossos quebrados e seguir adiante com menos dor e mais clareza.
Foi ali que decidi que minha advocacia não seria feita apenas de assinaturas, cláusulas e despachos. Ela seria feita de presença, de escuta verdadeira e de responsabilidade emocional. Que eu não diria apenas “assine aqui”, mas também “eu te vejo”, “eu te escuto”, “eu já estive aí” .
O divórcio, para mim, deixou de ser uma palavra pesada. Passou a ser compreendido como aquilo que muitas vezes é: um recomeço possível, legítimo e necessário.
O significado de ver essa história publicada
Ver essa crônica publicada em uma obra do IBDFAM, lançada em um congresso nacional, não foi apenas um reconhecimento acadêmico. Foi a validação de que a advocacia de famílias também se constrói a partir da coragem de contar histórias reais, de reconhecer dores e de transformar experiências em método, ética e cuidado.
Essa escrita representa exatamente o que acredito: que o Direito das Famílias começa no silêncio, se fortalece na escuta e se consolida quando há clareza, tempo e respeito pelos processos humanos.
A obra lançada em Belo Horizonte não registra apenas textos. Ela registra trajetórias. E, para mim, registrar a minha foi um ato de responsabilidade com tudo o que vivi, aprendi e hoje coloco a serviço das famílias que acompanho.
Quem é a autora
Cada família vive uma realidade única. Antes de qualquer decisão definitiva, compreender o cenário jurídico, patrimonial e emocional é um passo essencial para escolhas mais responsáveis, conscientes e alinhadas com o projeto de vida que se deseja construir daqui para frente.
Tatiana Fortes é advogada de famílias, mentora jurídica e estrategista de decisões familiares. É autora do livro “O Afeto Não Se Rompe”, disponível na Amazon, no qual aborda, de forma sensível e técnica, os vínculos familiares, a parentalidade e a responsabilidade emocional após a ruptura conjugal: https://a.co/d/aPG64sT
É também autora do ebook “Pensão Alimentícia na Prática: uma abordagem estratégica para famílias que buscam clareza, equilíbrio e segurança jurídica”, disponível em: https://pay.kiwify.com.br/al7jV0D
Mais informações sobre sua atuação profissional estão disponíveis em: https://tatifortes.adv.br/





